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Diagnóstico na Clínica Contemporânea: quando o sintoma não diz tudo
Como reconhecer formas de sofrimento que nem sempre se organizam segundo as estruturas clínicas mais conhecidas? Durante muito tempo, aprendemos a pensar o diagnóstico psicanalítico a partir de grandes organizações clínicas. Neurose, psicose, perversão: referências fundamentais que permitiram à psicanálise construir uma compreensão do funcionamento psíquico e orientar a direção do tratamento. Essas referências continuam importantes. O problema começa quando tentamos fazer com

Psicanalise Descolada
3 de set.3 min de leitura


Marilyn Monroe: por que ser desejado não basta?
Ela foi fotografada por milhares de lentes. Seu rosto estampou revistas, cartazes e campanhas publicitárias. Seu sorriso atravessou gerações. Ainda hoje, mais de sessenta anos após sua morte, Marilyn Monroe continua sendo uma das figuras mais reconhecidas da cultura ocidental. Mas talvez exista uma pergunta mais importante do que todas as curiosidades sobre sua vida. O que acontece quando alguém é visto por todos, mas nunca verdadeiramente encontrado por ninguém? Essa talvez

Psicanalise Descolada
5 de ago.3 min de leitura


Quando a Clínica Muda, a Escuta Também Precisa Mudar
Há um momento na trajetória de todo analista em que o repertório teórico continua presente, mas algo na clínica começa a escapar. Os pacientes chegam. Falam. Sofrem. Demandam. Mas nem sempre se deixam ler pelas mesmas coordenadas que organizavam o sofrimento psíquico de outras épocas. Não porque Freud tenha deixado de ser atual. Não porque a psicanálise tenha perdido sua potência. Mas porque o mundo mudou. E com ele, mudaram também as formas de adoecer, de desejar, de amar, d

Psicanalise Descolada
3 de jun.3 min de leitura


O Direito de Existir: dignidade narcísica, reconhecimento e autonomia na construção do sujeito
Existe algo profundamente delicado no desenvolvimento de uma criança: a construção da sensação de que ela pode existir no mundo como alguém inteiro, digno e capaz. Antes mesmo de aprender a falar, ler ou escrever, o bebê já começa a elaborar uma pergunta silenciosa e decisiva: “há lugar para mim no desejo do outro?”. Talvez seja justamente aí que possamos aproximar a noção de dignidade narcísica das contribuições de Freud, Winnicott e Maria Montessori. Na linguagem cotidiana,

Adrianna Setemy
3 de jun.4 min de leitura


A angústia como sinal: o corpo, o indizível e o trabalho da clínica
A angústia é, antes de tudo, um sinal. Um sinal de alerta. Mas alerta de quê? Se seguimos a formulação trabalhada por Carlos Mario Alvarez no curso “Como atravessar as angústias”, é preciso fazer um deslocamento importante: a angústia não começa no pensamento. Ela não começa como narrativa organizada. Ela se apresenta, primeiro, como algo que se sente. A angústia está no campo da sensação antes de estar no campo da representação. Isso nos obriga a considerar que há experiênci

Adrianna Setemy
26 de abr.4 min de leitura


O sujeito esgotado: quando a vida não admite mais intervalo
Há um tipo de sofrimento que escapa às classificações habituais. Não se apresenta como a tristeza densa da depressão, nem como a agitação difusa da ansiedade clássica. Trata-se de algo mais sutil — e, ao mesmo tempo, mais radical. Um esgotamento que não é apenas cansaço. É um colapso. O que se encontra aqui é um sujeito que já não consegue sustentar o intervalo. A pausa tornou-se ameaça. O silêncio, insuportável. A espera, impossível. Este não é apenas um fenômeno individual.

Psicanalise Descolada
2 de abr.4 min de leitura


Narcisismo: a dor de ser si mesmo
Nascemos sendo arremessados ao mundo, e o mundo não nos pede licença. A psicanálise propõe que aprendamos — apesar de tudo — a habitar a nós mesmos. Existe uma violência silenciosa no ato de nascer. Não aquela, óbvia, do parto — mas a outra, mais duradoura: a violência de ser inserido em uma cultura que já existia antes de você, com suas regras, seus silêncios obrigatórios e suas palavras proibidas. Desde cedo somos pedagogizados, vigiados, punidos, amados — tudo ao mesmo tem

Psicanalise Descolada
19 de mar.3 min de leitura


Freud e a Mente Frágil: quando o psiquismo pede passagem
A fragilidade psíquica não é uma sentença — é um estado. Um estado em que a pessoa se vê atravessada por conflitos e dores que assumem formas variadas: angústia, opressão, medos, timidez que paralisa, inibição que encurta o horizonte do possível. Quando isso acontece, o desenvolvimento se contrai, o sujeito se acanha e, em casos mais graves, regride. Freud tomou emprestado da termodinâmica e da física a noção de regressão justamente para iluminar esse movimento do psiquismo q

Psicanalise Descolada
27 de fev.3 min de leitura


Co-dependência afetiva: quando o amor tenta suturar uma falta impossível
Na co-dependência afetiva, algo essencial se desloca silenciosamente: o vínculo amoroso deixa de ser espaço de encontro e passa a operar como tentativa de reparação. O outro é convocado a ocupar um lugar impossível — o de suturar uma falta que não lhe pertence e que, estruturalmente, não pode ser preenchida. Esse movimento raramente é consciente. Pelo contrário. Ele se instala de forma gradual, envolto em justificativas afetivas, ideais de amor, promessas de cuidado e fantasi

Psicanalise Descolada
8 de fev.3 min de leitura


O caso Jane e o caminho para o amadurecimento
Quero conversar com você sobre algo que aparece com muita frequência no consultório — e que marcou profundamente o caso da Jane: a experiência de amar até doer, amar até perder a si mesma. Grande parte das mulheres que me escutam hoje já viveu alguma forma desse enredo. E, quando isso acontece, a tendência natural é buscar explicações rápidas: “é carência”, “é apego”, “é dependência”. Mas, na psicanálise, a pergunta nunca é “como sair disso rapidamente”. A pergunta é: o que e

Psicanalise Descolada
21 de nov. de 20252 min de leitura


PARTE II - Neurose: o drama entre o desejo e a lei
Por Carlos Mario Alvarez A neurose é, talvez, o território mais familiar da clínica psicanalítica. É nela que a maior parte de nós habita — entre o que se deseja e o que se teme desejar. Freud foi o primeiro a perceber que o sintoma neurótico não é uma anomalia, mas uma solução simbólica criada pelo sujeito para suportar o conflito entre o prazer e a lei, entre o impulso e o interdito. A neurose é, portanto, uma forma de defesa , um modo de manter o equilíbrio psíquico diant

Psicanalise Descolada
4 de nov. de 20254 min de leitura


PARTE I - As Estruturas Psíquicas: o mapa invisível da mente humana
Por Carlos Mario Alvarez Quando Freud inaugurou a psicanálise, ele não estava apenas propondo uma nova teoria sobre o inconsciente. Estava abrindo uma maneira inédita de compreender o humano — suas dores, seus sintomas, seus modos de amar e de sofrer. Entre as tantas descobertas que essa escuta produziu, uma se mantém como uma das mais fundamentais: a ideia de que existem formas estruturais de organização do psiquismo, que determinam como cada sujeito lida com o desejo, o pra

Psicanalise Descolada
27 de out. de 20253 min de leitura
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