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OBSESSIVO: O ETERNO ENDIVIDADO

Atualizado: 16 de out. de 2022

A menininha chega toda feliz para a amiguinha e diz assim:


⸺ Mas eu quero agradá-lo, meu pai é show, nota 10. Não aparece em casa, mas é um cara legal. Mas eu fico numa carência... gente!!


Essa é a situação em que alguém pode ficar vidrado, hipnotizado e preso porque não conseguiu criar uma metáfora que fosse capaz de desfazer as manobras imaginárias que o pai fez. E fica eternamente em busca do lugar em que ele acha que o pai possa estar (pode ser um lugar assombroso: o pai bate, o pai humilha. Pode ser também um pai omisso). Se eu não posso ir, é porque alguém não deixa. Esse é o ponto do obsessivo. Se eu não posso partir é porque alguém me prende.

No caso do obsessivo, ele se endivida porque quem deu o nome foi o pai. Então, existe, muitas vezes, isso no discurso do pai. O pai dá um negócio para o filho, escolhe a faculdade....


⸺ Não se esqueça de que, na época dos seus avós, a gente não tinha essas facilidades que vocês têm hoje em dia, diz o pomposo pai...


Então, ...está aí o menino, o futuro jovem obsessivo. E eu estou falando do menino porque eu quero desenhar as figuras, digamos, arquetípicas de um pai. Poderia ser a figura de um patriarca, o dono de um nome, o dono de uma força física, uma potência de produção.


Vamos encontrar pai e mãe que fazem questão de cercear o desejo do outro, o desejo do filho. Isso é muito comum: as pessoas demandarem a vida dos seus filhos para que eles possam trabalhar para eles, aplacar suas angústias e cuidar de sua velhice. Ou seja: pai e mãe têm por hábito projetar fantasias nos filhos (e não apenas projetar fantasias, mas agir de maneira a garantir ressonâncias da maneira que lhes interessa). Isso mostra que, para alguém deixar as cercas da família, é muito difícil.


O obsessivo se encastela junto com o pai que ele mira e não consegue passar adiante, dispensá-lo. Se vocês quiserem, pode ser um pai muito endeusado no discurso da mãe, um pai com muita dificuldade de se olhar no espelho e ver alguém. Enfim, ele não conseguiu uma independência do pai e fincou bandeira no solo do pai, sem saber quem é quem. Muitas vezes vai trabalhar para o pai. O que significa trabalhar para o pai? Significa alienar o desejo dele em função do pai; tudo que ele produz é desejo, mas cifrado pela neurose e transformado em medo.


― Olha, papai, eu tenho muito medo da vida. Eu fico com você.

― Pai, eu fico aqui. Eu estou aqui por você.


É uma sensação de fidelidade, de companhia. E o mundo dele se faz ali dentro. Ele pode até desejar a dimensão sexual, mas ele não tem a potência porque ele está alienado pelo pai. Ele alienou o desejo no Senhor, ao outro. Ele entrega o coração ao Senhor e o Senhor se encarrega de curá-lo de todos os males. O problema da neurose é que a pessoa fixa o seu coração, a sua libido no mastro. Amarrou-se ao mastro. Acreditou na potência do mastro. E lá ficou. Fincou bandeira. É um avestruz na gávea.


O obsessivo é o endividado; e o dia em que ele pagar a dívida dele ele vai anunciar um desejo. Só aí, ele vai perceber que as portas estavam sempre abertas, que as grades eram de fumaça, de nuvem, tudo ficcional, imaginário. Vai descobrir que a gaiola não tinha grades e o cadeado estava aberto. Tanto assim, que a porta está aberta desde sempre e mesmo assim a pessoa não sai. Transformou-se no senhor de si mesmo, autoprogenitor e exímio carcereiro de sua própria gênese.


Carlos Mario Alvarez


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