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Marilyn Monroe: por que ser desejado não basta?

Ela foi fotografada por milhares de lentes.


Seu rosto estampou revistas, cartazes e campanhas publicitárias.

Seu sorriso atravessou gerações.


Ainda hoje, mais de sessenta anos após sua morte, Marilyn Monroe continua sendo uma das figuras mais reconhecidas da cultura ocidental.


Mas talvez exista uma pergunta mais importante do que todas as curiosidades sobre sua vida.


O que acontece quando alguém é visto por todos, mas nunca verdadeiramente encontrado por ninguém?


Essa talvez seja uma das questões mais dolorosas da experiência humana.

Porque existe uma diferença profunda entre ser admirado e ser reconhecido.


Ser desejado e ser amado.

Ser uma imagem e existir como sujeito.


A história de Marilyn Monroe nos coloca exatamente diante desse paradoxo.

Milhões de pessoas a desejavam.


Pouquíssimas pareciam enxergar Norma Jeane.


Marilyn Monroe

O peso de se tornar um mito


A cultura costuma transformar determinadas pessoas em símbolos.

Deixam de ser indivíduos.

Passam a representar fantasias coletivas.


Foi exatamente isso que aconteceu com Marilyn.

Sua imagem tornou-se um objeto de desejo mundial.


Mas a Psicanálise talvez faça outra pergunta.


O que acontece com alguém que precisa sustentar, todos os dias, a fantasia que os outros construíram sobre ela?


Em vez de perguntar "Quem foi Marilyn?", talvez devêssemos perguntar:


O que restava dela quando as luzes do estúdio se apagavam?


Entre o abandono e o desejo


A infância de Marilyn foi marcada pela ausência.

Não conheceu o pai.

Passou por instituições e famílias temporárias.


Faltou-lhe uma referência estável capaz de oferecer segurança psíquica e continuidade afetiva. Uma trajetória de errância e a dificuldade de organização subjetiva decorrente dessas experiências precoces.


Mais tarde, o mundo faria exatamente o contrário.


Se antes ela havia ocupado o lugar do abandono, agora seria transformada em objeto absoluto de desejo.


Mas a Psicanálise nos lembra de algo importante.


Ser objeto do desejo do outro não protege ninguém do sofrimento.

Em certas circunstâncias, pode até intensificá-lo.


Quem é colocado sobre um pedestal também corre o risco de deixar de existir como sujeito.


A necessidade de um outro que permaneça


Existe uma característica frequentemente observada em organizações psíquicas marcadas por intenso sofrimento relacional.


A dificuldade de confiar na permanência do outro.

Não se trata simplesmente de querer companhia.

Trata-se da experiência constante de que o vínculo pode desaparecer a qualquer instante.


Marilyn precisava ter alguém ao seu lado para sustentar sua existência psíquica, enquanto sua vulnerabilidade a deixava exposta às demandas e apropriações do desejo alheio.


É justamente nesse ponto que as contribuições de Sándor Ferenczi permanecem extraordinariamente atuais.


Ferenczi descreveu como experiências traumáticas precoces — especialmente quando o sofrimento da criança é negado, minimizado ou desmentido — podem comprometer profundamente sua capacidade de confiar nas relações futuras.


Não basta sofrer.


O sofrimento torna-se ainda mais devastador quando não encontra reconhecimento.

Quando aquilo que foi vivido não encontra um outro capaz de dizer:


"Eu acredito em você."


Marilyn ainda nos interpela


Talvez seja por isso que Marilyn continue nos emocionando.

Não apenas por sua beleza.

Nem por sua carreira.


Mas porque sua história toca algo profundamente humano.


Quem nunca experimentou a sensação de precisar corresponder às expectativas dos outros?

Quem nunca confundiu reconhecimento com aprovação?

Quem nunca teve medo de que o amor desaparecesse?


Talvez Marilyn permaneça viva justamente porque continua fazendo perguntas que ainda não aprendemos a responder.


Carlos Mario Alvarez


Um encontro para pensar além do mito


No próximo 10 de agosto, às 20h30, o psicanalista Dr. Carlos Mario Alvarez conduzirá o encontro gratuito:

Marilyn Monroe: a mulher entre o mito e o desespero


Mais do que revisitar a biografia de uma estrela de Hollywood, este será um convite para refletir, a partir da Psicanálise, sobre o sofrimento borderline, os efeitos do trauma, o desmentido descrito por Sándor Ferenczi e a delicada diferença entre ser visto e ser verdadeiramente reconhecido.


Será um encontro ao vivo, fechado, realizado pelo Zoom, com espaço para aprofundar questões clínicas, culturais e humanas que continuam extremamente atuais.


As vagas são limitadas.

Como o evento acontecerá pelo Zoom, o acesso será organizado exclusivamente pelo grupo oficial do WhatsApp.


É nele que compartilharemos todas as orientações e o link da aula.


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