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INCAPACIDADE DE CRIAR UM IDEAL

Atualizado: 14 de set. de 2022

Muitas pessoas acham que, para chegar a algum lugar, elas precisam ser cuidadas, tratadas e estabelecer um acordo do outro. Talvez a gente possa, um dia, fazer negócios, com acordos que não tenham o sentido de submissão, mas, sim, de equidade, de igualdade em algum nível, porque só assim será possível que a pessoa se apodere de coisas que ela quer para ela e que merece ter.

Numa análise trabalha-se elementos de que a pessoa pode se apropriar, mas que, muitas vezes, estão distantes da sua percepção. É um trabalho árduo, mas cuja produção permite remeter você a campos onde talvez passe a ser possível se organizar.


A cegueira à pressão que a cultura exerce sobre as condições desses acordos é enorme. Então, a análise tem esse trabalho de fazer a pessoa ver melhor os seus pontos cegos, suas resistências. Melhor dizendo, o seu ponto cego, o sujeito ele mesmo.


Em um trabalho de análise, sabemos que sempre que algo emperra esse trabalho da análise, esse algo pode e deve a priori ser visto como uma resistência.


Eu posso dizer também o seguinte: sempre que alguém trabalhar contra si próprio, sempre que procrastinar, se sabotar e se diminuir, ele está resistindo a um processo de emancipação que é justamente o processo que daria a essa pessoa a capacidade de se projetar. Eu, como analista, o que eu quero é ajudar meus pacientes a vencer essas resistências que emperram as suas vidas e a progressão de suas emancipações eficientes.


Muitas vezes precisa mexer nos ideais porque, nessas mesmas muitas vezes, os ideais estão presos a sistemas ideológicos. Você se agarra a um ideal, a uma instituição imaginária, a uma sugestão coletiva, se agarra a isso, e recebe muito pouco, muito menos mesmo da potência que você teria se você tivesse, de certa maneira, criado esse ideal por você, próprio. Como dizia um filósofo brasileiro há muito esquecido, Tobias Barreto,


“Para mim, sei que seria fácil atirar-me em busca

das facilidades, dizer à minha razão: não sejas curiosa,

vamos aos meios… Impossível! Indigno! Quero ter o

trabalho de preparar, eu mesmo, o alimento de minhas

crenças, quero embebedar-me de meu próprio vinho.

A Vida é uma leitura! Ler é trabalho, é lutar!

E o desgosto da vida não é mais do que a

incapacidade de criar um ideal”


Carlos Mario Alvarez


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