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EU QUERO QUE VOCÊ ME AME TO-DO-DI-A!

Atualizado: 29 de jun. de 2023

Deixem-me chamar a atenção de vocês para uma coisa. Quando a gente pergunta, de uma maneira geral, sobre o que o que é que pode dar um senso de realização para uma pessoa, talvez o que a gente possa responder é: ter uma pessoa que nos ame, ter um bom lugar para morar, ser reconhecido como profissional, ter um bom emprego, ser reconhecido como pessoa com seus valores, enfim... Isso são formas de gozar, de se ter e se estar em homeostase. Homeostase está ligado a equilíbrio. Uma espécie de manutenção. Na infelicidade, na não realização, o aparelho psíquico perdeu a homeostase (em algum momento ele a perdeu).

A vida é um tanto quanto perturbadora, um tanto quanto perturbante, um tanto quanto perturbada, também, ela mesma, porque esses ideais abstratos (que julgamos poderem ser concretos), isso de ter um amor, um emprego... são elementos aos quais podemos e devemos impor uma formulação diferente... Mas não o fazemos. Nunca. E a verdade é que, entre todos esses, talvez o que mais mexe com a nossa homeostase (e o sentimento homeostático de alguém) seja o elemento “amor verdadeiro”...


Vejam que há dois tipos de escolha amorosa: uma é a escolha amorosa narcísica e a outra é a escolha amorosa anaclítica (veremos em Freud). O objeto pelo qual se apaixona alguém narcisicamente é o próprio “eu”, é a libido que se volta e se revigora e se revitaliza no próprio ser, no próprio “em si” da pessoa. Aquelas pessoas que perderam a capacidade de alimentar a si próprias e de guardar os limites corporais entre elas mesmas e o outro ⸺ conseguindo definir bem o que é dele e o que é do outro, o que é externo e o que é interno, as diferenças entre si e o outro, entre si e os outros objetos, e conseguem se querer, se integrar, se aceitar, se integrar ao outro ⸺, essas estão numa dimensão objetal narcísica.


Mas a gente sabe que isso pode, também, “patologizar”. Ela pode ser restituidora, pode ter uma dimensão restauradora, porém pode, em algum momento, ser destruidora de laços: a pessoa é tão investida narcisicamente que ela não consegue olhar para o outro, não consegue reconhecer a dignidade do outro, os méritos do outro, não consegue aceitar o outro nas suas diferenças, não consegue aceitar as escolhas do outro.


E ela tende a fazer uma leitura afetada: “Ah, me abandonou, me rejeitou”. Pessoas com esse tipo de postura portam uma certa obsessão de fragilidade narcísica, e uma dependência da presença do outro. É muito interessante a gente pensar que a escolha de objetos narcísicos tem níveis que garantem estabilidade às malhas de suporte.


Essa estabilidade, essa homeostase, acredite ela ou não em amor verdadeiro, só pode existir se, a partir de sua escolha amorosa, ela consegue um equilíbrio no seu próprio narcisismo, se se consegue trabalhá-la como uma potência reguladora e moderadora e não a deixar tomar as rédeas plenipotenciárias do afeto. Eu “quero que você me ame todo dia” da mesma forma como “eu me amo todo dia” é a expressão absolutista da cantilena narcísica dessa escolha que nunca precisou ser feita, pois é partir de si para si, necessitando apenas do outro como referendo.


Só haverá equilíbrio – a homeostase que nem se sabe que é tão necessária, senão imprescindível – se se reformula essa fórmula menos incisiva e mais intransitiva, nem a si, nem ao outro, nem tampouco todo dia: é preciso que se ame...


só quando se estiver "a fim" disso (e ainda nem falamos do anaclítico...).


Carlos Mario Alvarez


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