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PENSAR NÃO É REALIZAR, JÁ FALAR...

Atualizado: 22 de ago. de 2023

É preciso saber que o que a gente pensa não é necessariamente o que a gente vai fazer. O que a gente pensa está na ordem do inapreensível, a gente não domina tudo que a gente pensa. Mas, em pensando, a gente considera. Considera e joga fora se quiser, ou trabalha. Essa relação entre o pensamento e a ação é fundamental. Se eu não tenho domínio do que eu falo, essa fala virá do outro. Se eu não tenho limite para segurar o meu ato, eu sou assombrado pelo meu corpo. Se a psicanalise diz alguma coisa é: fala, porque, em falando, você produz a movimentação desejante. E fazendo a movimentação desejante, você sai dos pontos de fixação. É que a pessoa, quando está sozinha, ela está encalacrada. Anda! Agora, para andar você tem que largar determinadas amarras, inclusive o medo de dar errado, de se desvirtuar, de morrer. Senão você vira escravo do medo, e a vida se reduz.

E isso tudo é muito difícil de manejar. Vejam: o pensamento obsessivo recorrente é uma das formas de gozo do neurótico obsessivo; porque gozo não é prazer, gozo não é desprazer, gozo é uma operação que bota em uso um modo de relacionamento da pessoa com outra coisa. Então, a gente goza daquilo que a gente usufrui. E por que o pensamento obsessivo é gozo? Porque ele se vale do seu pensamento renitente para manter o desejo em processo de realização. Mas Freud vai dizer: a língua está errada, você está realizando uma coisa pela via do medo. E você, em podendo falar daquilo que é assustador, você passa a ter mais opções e você fica menos amedrontado.


Mas nem sempre é possível até mesmo distinguir o que é trivial, o que é ocasional, como, por exemplo, sentimentos de sofrimentos, paixonites ou mesmo pessimistas dos pensamentos obsessivos. Por quê? Porque uma pessoa apaixonada certamente está obsessiva. E a obsessão dela é a pessoa pela qual ela se apaixonou; ela perdeu os limites, perdeu a noção dos limites, ela pode ficar extremamente masoquista, aprisionar-se em função do desejo da pessoa amada; e ela está obcecada, em processo de franca obsessão. Aliás, ela está num momento de idealização, o que promove mais e mais pensamentos obsessivos.


Esses pensamentos obsessivos tem a ver com a antecipação de uma realidade pela qual inconscientemente quer ter um controle de algo ou de alguém sobre o qual não tem controle. A função do pensamento obsessivo é manter sob controle o desejo que está cifrado, que está inacessível. E o que é característico do desejo obsessivo é que ele inverte; é a tal da formação reativa de que Freud falava. Então, a pessoa que está obsessivando, ela pode estar falando “que nojo”, “que horror”, mas é porque ela precisa falar para ela própria que aquilo que ela deseja é rejeitado, é depreciado, porque o retorno do recalcado causa horror.


Daí, dentre todas essas especificidades e complexidades, o porquê da importância da análise. O que a análise faz? Vai tirando os “nojinhos” das pessoas para que possam ficar mais à vontade com suas mundanidades, com suas próprias bugigangas e com a sua própria potência de poder. Entre uma coisa e outra, você vai realizando e se fazendo realizar.


Carlos Mario Alvarez


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1 comentário


Excelente texto!

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