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DE FETO A TÁLASSA

Atualizado: 20 de jan. de 2023

Por que a pessoa não pode suportar ficar só? Por que tem que chamar isso de solidão, de abandono? Tem gente que está olhando para você e está precisando que você diga “aí! como você é legal! como você é bacana!”. E se você disser alguma coisa diferente, vai reagir assim: “você está me abandonando”, “você não gosta mais de mim”, “você é um chato”, “você não me interessa”. E no final, meu amigo, a culpa é sua: por que você vai dizer que não logo para uma pessoa que só quer ouvir que sim?

Mas será que você não é justamente essa outra pessoa, do outro lado, que fica exigindo esse sim? Exigindo do outro esse compromisso perpétuo de simetria perfeita, de conferência dos seus papéis, de dizer para você: “parabéns, meu filho, você tirou quatro e meio no boletim, mas é como se tivesse tirado dez, pra mim!...”


Está na hora de você parar de ficar perdendo tempo com essa “genitalidade” (retomada de Freud pela psicanálise culturalista), essa completude adicta; é você não ficar o tempo todo na fragilidade narcísica, esperando que alguém te diga o que fazer, te dizer o que você vai fazer e pode fazer. Eu não preciso do professor para dizer qual é o caminho.


Existe até o Koan Budista que diz que não há caminho. O Nietzsche era esse cara que dizia: não importa onde eu vou chegar, eu quero é caminhar, eu quero ser caminhante. É isso que dá a vitalidade. Eu posso fantasiar, eu posso imaginar que as coisas vão acontecer da maneira que eu quero, posso pensar numa princesa encantada, numa mulher maravilhosa a quem eu ofereça maçãs do amor, eu posso sonhar com ela, eu posso lutar por ela. Mas isso tem que estar na dimensão saudável da minha experiência. Isso não pode me aniquilar, não pode me anular. Isso não pode me fazer menor. A fantasia tem que estar a meu favor, seja ela qual for.


O que vai valer a pena, no sentido psíquico, particular, é que você possa fazer a sua trilha, a sua intuição dentro do razoável, que não se anule por vergonha, por inibição, por pânico.... Que você consiga se alinhar com alguns elementos que dão algum tipo de vitalidade, nem que seja água. Que você beba água, e brinde à água! E que, cada vez que você beber água, você faça a descoberta de todos os quatro elementos. E que redescubra o que foi estar no líquido amniótico da sua mãe, do oceano, de Tálassa, agora você mesmo todo a extensão da água, aos quatro ventos, e não só estar protegido em vaso fechado, simplesmente boiando dentro.


Carlos Mario Alvarez


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