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BOA NOITE, O ENIGMA ESTÁ SERVIDO

Se vamos falar de amores impossíveis, é preciso saber o que é esse impossível.

Lacan mostrou que o real é impossível. Freud mostrou que a comunicação é impossível, que ela é falha e que tudo aquilo que a gente pensa saber sobre a gente, sobre o outro, sobre as coisas, aquilo que a gente oferece para a gente mesmo sob o nome de consciência, tudo isso é sempre parcial. Por esse motivo é que o jornal, a notícia, qualquer revista são sempre tão somente uma lambida de consciência, uma cusparada na sua cara (às vezes é até bom que seja desse jeitinho).

Freud nos diz que a gente nunca completa o circuito, que existe um desvio e que esse desvio é o objeto de desejo. Quando o objeto de desejo escapa, completar o circuito é impossível – óbvio, portanto. E se é impossível completar o circuito, a gente vai cair no que é possível, pois evidentemente existem elementos possíveis.


O real como absoluto, esse não tem jeito, não tem como alcançá-lo, muito menos compreendê-lo. A gente não tem paz total de espírito, a gente não tem solução para a angústia. Não tem, não a procurem; melhor: procurem-nas, sim (ou não haverá angústia, não haverá procura, não haverá nada...).


A vida não para. Como naquela música do Raul Seixas “Para o mundo/ que eu quero saltar”... Se pudesse, seria um barato, não? E o que a gente faz, então? O que a gente faz é truque. Sabendo gingar, a gente faz truques. E, em se fazendo truques, tentar encontrar melhores situações, melhores circunstâncias.


Não tem saída da vida e não tem saída para a angústia da existência. Não temos álibis para nós mesmos. Não tem saída para o enigma posto à mesa. Mas talvez nos caiba, em vez de aceitar o que nos é servido, prepararmos nosso próprio prato.


Carlos Mario Alvarez


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